sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Gewürztraminer


Teu sangue que continua a pulsar em têmporas, lavai minha alma com o bálsamo agridoce de tuas lágrimas casadas com teu precioso líquido escarlate ...
Bebei de meu cálice, oh minha amada! Sorvei de minhas angústias e suaves melancolias. Embriaga-te em meu seio ...
Degustai das vinhas amassadas e envelhecidas que são minhas lembranças!
Colhei de cada beijo como bagas bem cuidadas, plantai cada réstia de esperança, cuidai de mim, oh querida! Como se cuida e se dá carinho a cada estaca e a cada esporão ...
Quando estiver eu passando dos limites, desbastai-me cada galho improdutivo ...
Serei eu teu vinhedo de uma só vinha ...
Perdoai-me, oh Deus! Mas lembrar-te-ei de cuidar os rosais também! Os rosais tão delicados e sensíveis que apontam os riscos e perigos ...
Perdoai-me, minha querida, se não for eu a casta que esperavas. Forje-me um assemblage, de todos que existem adentro de minha casca. Dilacerai-a, sugai dela todo o mosto, doce e quente nas tardes de Fevereiro.
Todos os taninos, e tons e aromas que posso ter fazer-se-ão parte de ti em cada fim de tarde alaranjado, onde lembrar-te-ei que sou apenas de ti, guardado e esquecido por vezes na penumbra e no frio, enterrado na adega de tua memória ...
Lembrai ainda, oh querida! Que embora o vinho melhore com o tempo, isso só acontece quando as vinhas são boas desde o início ...

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