Agora eu costumo ver nosso amor como uma ferida aberta. E dolorosa. Uma ferida que sangraria em mim pelo resto da vida ao teu lado. Claro, se ficar com você significasse estar realmente ao teu lado.
Enfim, uma ferida que eu deveria ter curado há muito tempo. As suturas de compreensão e carinho que eu fazia já não adiantavam mais.
Era preciso estancar o sangramento de uma vez, coisa dolorosa essa, de um sofrimento agonizante em meu peito.
Mas eu consegui, e doeu até menos do que eu pensei que doeria. Estou me curando de você.
E, é inevitável, toda vez que olho pra mim, vejo aquela cicatriz, horrenda. Feia e torta, aquela cicatriz.
Toda vez que olho pra minh'alma, vejo você, aquela cicatriz. E passa em minha mente por um pequeno instante tudo o que passamos. E nada de mais. Sem aquele formigamento e pernas trêmulas. Agora só a minha voz treme. E falha.Hoje já não dói, não dói lembrar que te amei e que me sacrifiquei por você.
Mas todas as vezes que sinto o teu perfume, a cicatriz dói uma dor lancinante. Como aquele osso quebrado que dói antes da chuva. E passa. Sim, passa! Quando entra por minhas narinas o cheiro da terra saciada.
Estou curado.
Texto de Rodrigo S. C.

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