Hoje aconteceu mais uma daquelas coisas estranhas que só acontecem comigo.
Estava eu bem infeliz sentada em um banco numa praça esperando por alguém que eu sei que não viria.
Do nada, surgiu um rapaz, que sentou-se no banco ao lado (pô, de novo alguém que senta ao meu lado num banco e conta suas histórias). Ele me disse "mano, tô bem locão". Bem, deu para ver.
Olhos vermelhos e inchados, voz arrastada. Perguntou: "sabe por que eu tô assim?" Eu não respondi, mas ele fez questão de contar.
Disse que era rico, que era cantor, mas que estava daquele jeito por causa de uma "mina". Ele supôs o seguinte: "imagina se eu e você tivéssemos um filho. Que eu pagasse pensão e que fosse um bom pai. Você me deixaria ver o meu filho? MEU filho, ele é meu também, eu o amo. Você deixaria?"
Me comovi com a história e respondi que "não, não no seu estado". Ele prosseguiu; "eu deveria estar morto. Daniel prometeu minha alma ao Diabo, por isso estou vivo. Daniel me odeia. Hoje quebrei uma vitrine, por isso minha mão tá assim".
Mostrou a mão ensanguentada e com uns 20 pontos cirúrgicos. Perguntei por que ele havia feito aquilo. Calmamente, respondeu que estava à caminho da igreja quando aconteceu, mas não deu muitos detalhes. Disse que havia escolhido o mau caminho naquela noite, por que não conversava com Deus a 5 anos.
Eu respondi que ele tinha feito suas escolhas, que tinha seu livre-arbítrio então para escolher o caminho certo.
Ele concordou, cabisbaixo. "Quando eu chego nos lugares, todos me cumprimentam, eu sou alguém, todos dizem "irmão Jefferson", não sou um qualquer".
Continuou sua história sobre Deus. "o que me mantém vivo é a promessa que Ele me fez. Deus me prometeu a vida eterna".
Perguntou o que eu achava de Deus. Não tive resposta. Disse que eu estava mentindo (não sei sobre o quê, eu não havia falado nada!).
"Você não olha nos meus olhos, está mentindo, você é egoísta" (Deus, quem teria coragem?!). Levantou-se e foi embora. Entrei num táxi atordoada e fui pra casa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário