quarta-feira, 30 de junho de 2010

Romantismo Mórbido


Eu disse que o dia estava cinza hoje. As poucas pessoas que estavam ao meu redor olharam para o céu e discordaram.
Meus dias têm obedecido escalas em preto e cinza.
Às vezes são tão vazios que eu tenho a impressão que são completamente alvos.
Só você pode devolver cor à minha vida, babe. Só você.
O verde que eu enxergava nos meus olhos já não existe sem você.
Pelo amor de Deus, eu quero que você discorde, mas acho até que prefiro meus dias assim, cinzas. Dia nublado, clima perfeito.
Sobreviveremos juntas, entre matizes, entre tons. Juntas.
Faça de minha alma uma tela vazia. Encha-a com suas cores. Apenas as suas cores me parecem vivas, como têm de ser realmente.
Me preencha em cada espaço, cada linha e cada traço. Pincele cada pedaço que achar necessário.
E depois, como arte final, encoste-se em mim, me deixe impregnar em sua pele.
Deixa que eu faça parte de ti, enfim.
Estaremos conservadas uma na outra, não apenas na pele, mas também com a linha tênue entre criador e criatura. Como um espelho.
Parece confuso, e um tanto paranóico. Mas é assim que pretendo estar com você por muito, muito tempo.
Mas o tempo por si só, encarregar-se-á de apagar cada linha, cada traço e cada matiz.
Resta-nos, então, nos deixarmos impregnadas uma na outra, na memória, no coração, e na alma. E assim será, até que uma de nós duas esqueça.
Embora eu jure que jamais esquecerei teu rosto, mesmo que a escuridão vele meus olhos. Bastará olhar pra mim mesma, que te enxergarei, viva, como o sorriso de uma Mona Lisa, triste e melancólica como o azul de Picasso...

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